Pesquisas divulgadas na Inglaterra constataram que 77% dos executivos trabalham mais de 40 horas por semana, 32% mais de 50 horas e 10% mais de 60 horas. Alguns deles, ainda levam trabalho para casa e seguem uma rotina extenuante nos finais de semana, período que deveria ser dedicado ao relaxamento e equilíbrio das forças. Ainda assim, o número de executivos que acredita que essa carga intensa de trabalho não é suficiente para os seus superiores é de 60%, segundo essas pesquisas. A realidade brasileira não é muito diferente disso.
O acúmulo de demandas e pressões no trabalho são as grandes vilãs do mundo corporativo também no Brasil, considerado o segundo no ranking dos mais estressados do mundo. Os especialistas acreditam que o grande desafio do novo século é tentar reduzir os altos níveis de stress e administrar, com mais eficiência, a quantidade de horas trabalhadas – atualmente são 52 horas por semana, mas deve chegar a 54 horas nos próximos anos, segundo pesquisa da International Stress Management Association no Brasil - ISMA-BR – (www.ismabrasil.com.br), associação que se dedica à prevenção e ao tratamento do stress.
Os resultados do excesso de tensão vão além dos danos para a saúde física. Também afetam o bem-estar mental e emocional. Insegurança, falta de motivação, ansiedade e depressão são algumas das conseqüências que sofrem os executivos que mantêm uma rotina de muito trabalho e que têm uma qualidade de vida marginal.
Vale lembrar que o stress, ao contrário do que muitos pensam, não é um mal a ser combatido. Ele faz parte da nossa rotina e pode servir como força propulsora na execução das tarefas. O stress balanceado pode servir para motivar e impulsionar uma carreira. O problema é o excesso.
Rotina estafante, muita pressão, falta de tempo para cuidar de si mesmo e da família terminam gerando culpa por não se conseguir conciliar tudo isso. Os estudos mostram que o acúmulo de tensão afeta até mesmo o sistema imunológico, diminuindo a resistência, o que torna o executivo propenso a doenças e problemas emocionais. E, quando o profissional percebe que ele tem muita responsabilidade mas pouca autonomia para tomar decisões pertinentes as suas tarefas, ele tem até 67% mais chance de adoecer.
Qual a solução para sair deste ciclo extenuante? Nos Estados Unidos, os programas para administrar as pressões no trabalho têm sido usados com resultados bastante positivos. Um dos maiores especialistas nessa área, o professor James Campbell Quick, Ph.D., diretor executivo da Goolsby Leadership Academy da University of Texas e autor do livro Preventive Stress Management in Organizations, é um dos pioneiros na implementação desses programas nos Estados Unidos. O Dr. Campbell virá ao Brasil para um ministrar o Curso de Gerenciamento do Stress que a ISMA-BR promove nos dias 24 e 25 de junho, em Porto Alegre.
O reconhecimento de um quadro de stress excessivo e a utilização de técnicas eficientes para lidar com ele são vitais. Mas é preciso também que cada um faça a sua parte e use a mesma determinação e comprometimento que dedica para a vida profissional, à pessoal. Um estilo de vida saudável, aliando alimentação equilibrada, prática de atividade física e uso de técnicas de relaxamento regularmente são algumas opções que se traduzem em melhorias no dia-a-dia. O respeito às horas de laser e ao tempo junto à família também auxiliam. Pense na importância e na qualidade do produto que você estará investindo: a sua saúde.
*Ana Maria Rossi , Ph.D, é presidente da ISMA-BR