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A Importância da Internacionalização de Empresas
Benedicto Fonseca Moreira, presidente Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB)
A internacionalização de empresas, de recente percepção no Brasil e ainda pouco compreendida, é um processo presente e decorrente da história econômica do comércio mundial, e ainda em evolução. Este passou por cinco etapas: (1º) imperial, caracterizada na conquista e dominação de nações, como ação estratégica de poder, de garantia de abastecimento, e até mesmo para uso de mão-de-obra escrava; (2º) colonial, para garantir o suprimento de matérias-primas; (3º) desenvolvimentista, através de incentivos a investimentos para a substituição de importações.
Quando se criam condições e atrativos para a captação de investimentos estrangeiros, em realidade, incentiva-se a internacionalização de empresas estrangeiras; (4º) integração competitiva, decorrente do processo de globalização induzido pelos avanços tecnológicos. As fusões de empresas para a formação de grandes conglomerados é o exemplo mais característico; (5º) de nações, definido como a integração econômica plena de países, onde todas as empresas passam a ser "nacionais" no novo espaço.
Na ótica da empresa, que se insere em cada uma dessas fases evolutivas, as características marcantes se definem no desejo de dominação, induzido pela crescente capacitação competitiva, e se traduzem na ocupação de "espaços", com o objetivo precípuo de crescer e lucrar.
A busca pela internacionalização obedece a esse horizonte, isto é, a conquista do "espaço", somatório do mercado interno e do mercado externo, para operar, em grande escala, em multimercados, com vistas a criar vantagens competitivas na produção e na exportação. A busca de crescente capacitação competitiva, perseguida na internacionalização, se assenta em, pelo menos, cinco fatores de força:
· alcançar escala de produção mais ampla do que a limitada pelo mercado interno;
· racionalizar e reduzir custos de produção pela incorporação de tecnologias e saltos na qualidade;
· alcançar produtividade crescente;
· apropriar-se de benefícios e incentivos;
· maximizar lucratividade; e
· criar canal cativo de vendas.
Existem muitas formas de internacionalização, visando a oferecer produtos ou a conquistar bases cativas para prestação de serviços. Merecem ser citadas:
· comercial - visa a garantir canal cativo de exportação, a partir do país de origem, e se materializa através de escritórios comerciais, agentes de vendas, depósitos e armazéns, parceria com distribuição local, desenvolvimento ou compra de marcas, etc.;
· participativa - se define por parcerias e alianças estratégicas na produção ou distribuição;
· fusões - decorrentes de integração para obter nova e maior escala de produção, maior capacitação, tecnologia e saltos na qualidade;
· integracionista - operação direta em multimercados, não raro com as práticas de "fragmentação" da produção e instalação das chamadas "plataformas de exportação".
Na atualidade, devido ao crescente sistema de preferências comerciais, duas forças se destacam no universo da internacionalização: (1º) o setor de serviços, seja como ação per se, seja como fator determinante para a competição no campo dos bens e mercadorias. Ao dominar determinados serviços, além de agregar valor às mercadorias, dominam-se mercados e impõem-se preferências por produtos; (2º) a mobilidade de recursos humanos, seja como emigrantes, seja pela contratação de técnicos, cientistas, que se transforma em nova força empresarial.
À medida que se consolida no mundo a tendência à rápida ampliação das preferências comerciais e de integrações parciais ou totais, sob a forma de áreas de livre comércio, união aduaneira e integração econômica, aumentam exponencialmente a indução e a necessidade de as empresas buscarem a internacionalização em multimercados, como forma de superar as novas tarifas externas comuns, vigentes em blocos de países, ou as barreiras não-tarifárias, cada vez mais disseminadas.
A internacionalização de empresas, produtoras de bens e sobretudo de serviços, passa a ser ação e instrumento absolutamente determinante em política de exportação pró-ativa, portanto, fator fundamental para o equilíbrio auto-sustentado da balança de pagamento em transações correntes e para a política de emprego.
Empresas brasileiras estão se internacionalizando, como meio de maximizar a competitividade externa, através de ocupação de "espaços". Contudo, ainda preponderam as empresas de grande porte e o número de empresas internacionalizadas é aquém do desejável. Dentre os obstáculos que limitam a ação externa empresarial, quatro são destacáveis: (1º) falta de apoio explícito do governo, por meio de política indutiva, clara e permanente, como parte de política integrada de exportação, que também não existe; (2º) tratamento tributário distorcido e anticompetição; (3º) inexistência de financiamento de apoio à internacionalização, sobretudo para as diferentes modalidades de serviços; e (4º) viés da política de exportação, fruto da visão governamental distorcida, que termina na venda FOB, quando, no mundo atual, a competição se dá pela ocupação de "espaço" externo e dominação de mercados, isoladamente ou com associações.
É grande o atraso brasileiro nesse particular, tornando o país estruturalmente vulnerável no comércio; marginal na captação de investimentos externos voltados para a produção e exportação de bens; e frágil em negociações internacionais.
Problemas relativos ao tratamento fiscal e a extraordinária burocracia governamental marginalizam o país, retirando-o tanto da rota dos grandes investidores "internacionalizadores", quanto de pólo de atração para a produção mundial "fragmentada" voltada para a exportação. Ou seja, criar no Brasil plataformas de produção para a exportação e empregos.
Não ter política de internacionalização adequada às necessidades das empresas, da exportação e da captação de investimentos para a criação de plataformas de produção "fragmentada" para exportação, marca o Brasil como país satisfeito com o seu subdesenvolvimento.
Fonte: Portal Global 21 (www.global21.com.br)
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