Para Schumpeter, a economia está normalmente em estado de equilíbrio em seus fluxos de capitais, mas a atividade empreendedora e a inovação alteram esse equilíbrio criando riquezas, plantam sementes de destruição da ordem econômica vigente, promovendo o que ele qualifica de “destruição criativa”.
Com todos os efeitos provocados pela globalização – como a atual crise econômica mundial –, as ideias de Schumpeter nunca se mostraram tão atuais. Hoje, é a capacidade de ofertar novas soluções aos clientes, e não a competição, o componente central do processo de funcionamento dos mercados. É a capacidade de inovar que torna a empresa bem-sucedida.
Observando empresas de diferentes tamanhos e em variados setores, chegamos a algumas conclusões que apontam para novos processos de inovação. Há alguns anos, em uma entrevista, um executivo de uma empresa multinacional observou que as empresas, em geral, fazem ou procuram fazer o que sabem que deve ser feito – busca pela qualidade, melhoria de produtividade, gestão estratégica, introdução de sistemas eficientes de controle, entre outros. Em sua opinião, no entanto, para se diferenciar, as empresas deveriam agora buscar, também, aquilo que não sabem que devem fazer. Perguntamos-lhe, então, o que ainda não é sabido. Ele simplesmente respondeu: “eu também não sei, mas estou procurando”.
Essa busca, assim como a forma como ela acontece vêm se alterando ao longo do tempo. A incorporação do cliente e de fornecedores ao processo é cada vez mais frequente, embora varie a intensidade e, principalmente, o formato de sua participação. Normalmente, o cliente é ouvido na fase inicial, sobretudo através de pesquisas, e na final, quando o lançamento é levado ao mercado. Comportamento semelhante tem sido adotado em relação aos fornecedores, que costumam indicar necessidades e tendências que detectam no relacionamento com outros clientes e, muitas vezes, participam da fase final, quando o novo produto ou serviço entra em produção.
Consideramos, no entanto, que é possível dar um passo além. As empresas mais inovadoras são aquelas que reconhecem não saber tudo e não se afligem com isso, pois aprendem a buscar o conhecimento onde ele estiver. Saber tudo custa caro e pode ser bastante ineficaz. Ao constatar que as competências de que necessitam para se diferenciar estão dispersas pelo mundo, essas companhias têm criado mecanismos para identificar o conhecimento e incorporá-lo, de modo que ele se transforme em produtos e serviços.
No Brasil, algumas empresas, como a Embraer, desenvolveram a capacidade de inovar através do relacionamento diferenciado com clientes, parceiros e fornecedores. Elas criaram fórmulas de apreender as necessidades e expectativas dos clientes, envolvendo-os, desde o início, no processo e incorporando-os ao desenvolvimento da inovação. A mesma postura foi adotada em relação aos fornecedores, convidados a participar da criação e dos custos da inovação, já na etapa inicial. Para tanto, foram estabelecidos processos compartilhados de recompensa do sucesso. Assim, a empresa evita concentrar todo o esforço intelectual e financeiro quando está concebendo ou desenvolvendo o projeto.
Algumas empresas estão indo além, criando canais de comunicação com o mundo externo, buscando aprender a “fazer o que não sabem que deveriam fazer” a partir de um processo constante de “monitoramento” de ideias e conhecimentos que lhes interessam e atraindo o mercado para atuar como parceiro. Essa nova prática, ainda uma exceção, deve se tornar uma norma na economia do conhecimento do futuro próximo.