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Artigo: A importância da cultura exportadora para o crescimento das exportações brasileiras

O comércio internacional tem crescido substancialmente nas últimas décadas. A constante busca pela liberação do comércio promovida pela Organização Mundial do Comércio, a ampliação dos acordos de blocos econômicos, o avanço das tecnologias de comunicação e um maior interesse das empresas por mercados globais são fatores que têm influenciado neste rápido desenvolvimento. Nos últimos 20 anos, o comércio internacional de bens e serviços saltou de US$ 6,3 trilhões para US$ 20,3 trilhões. O Brasil, entretanto, apresenta uma participação modesta, representando atualmente cerca de 1,2% do total exportado globalmente.

A atividade exportadora é considerada uma válvula propulsora para o desenvolvimento econômico e social de um país. As exportações proporcionam divisas, que possibilitam o pagamento das necessárias compras externas, geram empregos e incremento da renda para os trabalhadores, promovem uma melhor competição entre as empresas, melhoram a qualidade e a inovação dos produtos, entre tantos outros fatores de prosperidade econômica.

As exportações também proporcionam importantes vantagens para as empresas, tais como incrementar o faturamento, diversificar os mercados de atuação, melhorar a rentabilidade, a produtividade e a qualidade dos produtos, adquirir novas e avançadas tecnologias e aumentar a competitividade das empresas.

Importante destaque deve ser dado à vantagem competitiva adquirida com a prática da exportação, pois uma empresa, quando avança em novos mercados estrangeiros enfrentando competidores internacionais, normalmente observa melhorias também em seu desempenho no mercado interno. Desta forma, a empresa pode crescer e prosperar.

Entretanto, exportar não é fácil pois diversos obstáculos aparecem, em diferentes níveis de frequência, intensidade e importância. Assim, muitas empresas que iniciam suas vendas externas, após algum tempo, abandonam a atividade exportadora. Diversos motivos influenciam na interrupção do caminho exportador das empresas. Normalmente, fatores externos como a não familiaridade com as práticas envolvidas nos negócios internacionais, as flutuações desfavoráveis das taxas de câmbio, a agressiva competição dos mercados estrangeiros e as diferenças culturais existentes entre países são exemplos de barreiras externas às exportações.

Adicionalmente, motivos internos inerentes às empresas também influenciam na descontinuidade das exportações.  A falta de compromisso exportador por parte dos gestores e falta de conhecimento para lidar com os obstáculos vivenciados nas exportações são os principais fatores internos determinantes para a descontinuidade do processo de internacionalização de uma empresa.

Desta forma, a busca de mercados externos sem planejamento, geralmente decorrente da desvalorização do real ou da estagnação da economia doméstica, pode ser considerada uma forma reativa de exportação. Nestes casos, normalmente quando o real voltar para patamares inferiores ou quando a economia interna apresentar crescimento, muito provavelmente a trajetória exportadora será descontinuada.

Portanto, o progresso na inserção de mercados externos somente ocorre se for uma decisão estratégica, fortemente baseada em planejamento, com visão de longo prazo, com o a empresa unindo num só coro o envolvimento dos gestores e de todos os setores envolvidos e compreendendo que as diferenças culturais entre países impactam o comportamento dos consumidores, exigindo muitas vezes a adaptação dos produtos.  Somente desta forma a empresa estará preparada para enfrentar os desafios da exportação visando a sustentabilidade de seus negócios com seus clientes estrangeiros.

Importante destacar a importância dos programas governamentais de estímulos às exportações, que possuem um papel relevante como apoio ao processo de inserção das empresas nos mercados internacionais. Ao longo da história do comércio exterior brasileiro, pode-se verificar que o governo federal sempre procurou disponibilizar uma série de ferramentas e mecanismos de apoio às exportações. Atualmente, pode ser destacado o Plano Nacional de Cultura Exportadora (PNCE), que tem o objetivo de aumentar o número de empresas que operam com comércio exterior, além de promover o crescimento das exportações de produtos e serviços, com ênfase em bens manufaturados, com maior valor agregado. Entretanto, nosso país carece de uma política de comércio exterior de longo prazo, com governança própria e que permita uma melhor previsibilidade para os negócios de exportação.

O estado do Rio Grande do Sul sempre apresentou forte cultura exportadora. A pauta gaúcha se destaca pelo dinamismo e diversidade de setores atuantes no comércio exterior. Porém, no estado do RS, também é observada a descontinuidade da atividade exportadora. Como exemplo, 365 empresas gaúchas iniciaram suas exportações em 2006, entretanto, somente 33 destas empresas permaneceram exportando, com pelo menos um embarque anual com destino ao exterior, no período de 2007 a 2017.

Por fim, o Prêmio Exportação RS sempre indicou a importância das exportações como caminho para o crescimento das empresas e sempre utilizou o reconhecimento para propagar exemplos de sucesso para o mercado, estimulando, desta forma, novas empresas a iniciar suas vendas externas.  Assim, pode-se afirmar que, ao longo de suas 46 edições, o Prêmio Exportação RS auxiliou no desenvolvimento da cultura exportadora gaúcha.

*Edmilson Milan é CEO do Prêmio Exportação RS; VP de Comercio Internacional da ADVB/RS e sócio da Produttare Internacional.

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